Huis-Clos – A Europa entre 4 paredes
O primeiro passo era esse: Nós, fechados, como reagíamos a isto da pandemia, mas também é um olhar sobre a Europa, porque há subjetividades muito diferentes a lutar com isto e contra isto e que falam sobre o que os rodeia e preocupa”, explicou.
O espetáculo tem um “olhar fractal”, quase como se fossem “várias facetas de um diamante que dão várias Europas”, frisou.
Julia Holewinska aborda a luta na Polónia contra as limitações impostas pelo Governo ao aborto, durante a pandemia, que lhe valeu a prisão, abordando ainda a luta do movimento LGBTQIA+.
Já Deborah Pearson retrata a experiência de ser mãe durante o confinamento e a dificuldade em escrever durante esse período.
Vanesa Sotelo explora a solidariedade numa história com uma enfermeira, uma idosa e um refugiado, em plena pandemia, com personagens cheias de contradições e incoerências.
Maxi Obexer, que esteve confinada nos Alpes italianos, surge com um olhar mais contemplativo, face à natureza bruta que via a partir da sua janela, e Ricardo Correia apresenta um texto mais reflexivo sobre viver o confinamento e a criação nesse contexto, onde recorda também a morte do ator Bruno Candé.
Ao longo do espetáculo, ouvem-se várias versões da música “Sound of Silence”, de Simon & Garfunkel, tocadas por artistas como James Blake ou Silvia Pérez Cruz.
“Há alguma voz interior nossa que fala connosco e nos obriga a confrontar-nos”, salientou Ricardo Correia, considerando que a inclusão de várias versões da canção acaba por ser uma espécie de metáfora sobre a reflexão em contexto de pandemia e sobre o exercício de se olhar o mundo a partir de uma janela.
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